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Xai-Xai: Retomada actividade comercial após inundação

Xai-Xai: Retomada actividade comercial após inundação


Algumas semanas após a interrupção de praticamente toda a actividade comercial na baixa da cidade de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, como medida de precaução face às ameaças das cheias naquela parte da cidade, o comércio formal retomou ontem, reporta hoje o diário da nossa fonte.

A medida, de acordo com fontes municipais, surge em resposta à pressão que vinha sendo feita nos últimos dias pelos agentes económicos locais ansiosos em relançar os seus negócios depois da paragem imposta por aquele fenómeno da natureza.

Os comerciantes reatam o trabalho numa altura em que continua em vigor o alerta vermelho decretado pelas autoridades governamentais.

Aliás, os mesmos operadores económicos têm igualmente a convicção de se estar ainda em plena época chuvosa, daí a necessidade de serem tomadas todas as precauções de forma a se evitarem eventuais problemas.

Numa ronda pela cidade, a reportagem do Notícias diz ter observado a presença de um movimento desusado de camiões transportando mercadoria diversa, tendo em vista o reatamento da actividade a todo o gás para o alívio dos citadinos que se viam obrigados a encontrar alternativas para a satisfação das suas necessidades básicas em alimentos e outras, recorrendo a estabelecimentos improvisados, na zona de Tavene e Xiquelene.

Alguns operadores ouvidos pela nossa Reportagem a propósito do retorno das actividades reconheceram estarem a assumir este seu posicionamento cientes dos riscos, e desafios impostos pela natureza, mas que algo devia ser feito para não se matar a economia.

“ Como todos puderam ver ao longo de todo este período de total estagnação, para além de termos perdido muito dinheiro, os consumidores foram penalizados, porque alguns oportunistas que durante esta fase assumiram o monopólio, enveredaram pela especulação de preços”, disse José Matavel, comerciante em exercício na zona da Pontinha.

Entretanto, depois de três dias de trabalho árduo, a empresa FIPAG restabeleceu ontem em pleno o fornecimento da água à parte baixa para que as pessoas regressem com garantias da água potável, de forma a se evitar um eventual surto de doenças de origem hídrica.


Governo não politiza ajudas humanitárias

Governo não politiza ajudas humanitárias


Júlio Langa, agricultor, que falava em representação de um grupo de camponeses que perderam os seus bens devido às enxurradas, reagia a alegadas acusações que teriam sido feitas pela organização não-governamental sul-africana GivesoftheGives, segundo as quais administradores distritais em Gaza teriam desviado produtos  destinados às populações vítimas das cheias.

“Pelo que sabemos uma organização não-governamental sul-africana esteve a distribuir alimentos destinados às vítimas das cheias em Chókwè e Lionde  a pessoas não necessitadas que circulavam pelos estabelecimentos comerciais em Mazivila. Na tarde do mesmo dia 4 do mês em curso, cerca das 17:00 horas, a mesma ONG voltou a distribuir alimentos na zona de Dzimbene, em Macia, distrito do Bilene”, revelou.

Por seu lado, o régulo Feniasse Zibia chegou mesmo a afirmar  que “num momento de dor e desolação por que passam as pessoas estão a passar é condenável que apareçam organizações estrangeiras de má-fé que pretendem instalar a discórdia entre o Governo e a população. Nós não queremos mais a presença dessa organização aqui no nosso distrito”.

Aliás,  o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades Naturais (INGC) já tinha vindo a público distanciar-se de tais acusações considerando-as infundadas.


Rios continuam em alerta: Afectados começam a sair dos centros de acomodação

Rios continuam em alerta: Afectados começam a sair dos centros de acomodação


A primeira fase de actualização das vítimas foi feita há dias em Nicoadada, Zambézia, e revelou que, contrariamente aos pouco mais de nove mil cidadãos que vinham sendo assistidos nos centros de acomodação locais neste momento encontram­-se 5900 pessoas.

Rita Almedia, porta-voz do Conselho Técnico de Gestão de Calamidades, disse ontem ao nosso Jornal que recontagens do género serão efectuadas na totalidade dos 27 centros instalados no país, incluindo em Chihaquelane, o maior de todos.

Vários factores são apontados como estando por detrás do fenómeno, com destaque para o parcelamento e atribuição de terrenos em zonas seguras e o facto de algumas famílias terem regressado às suas residências em virtude da redução do grau da inundação. Não se exclui ainda a hipótese de outras pessoas não afectadas ou com outros rendimentos terem passado os dias no centro quando nas noites iam para as casas.

Esta hipótese é levantada pelo facto dos baixos números de afectados de Nicoadala terem sido aferidos de noite.

Em Nicoadada e Maganja da Costa precisa-se de 600 talhões, sendo 300 para cada distrito. No primeiro ponto já foram parcelados 18 e noutro 120, respectivamente. Em Chibuto o número de terrenos já delimitados subiu para 483, 54 em Guijá, de acordo com dados oficiais, que apontam ainda que no Chinde demarcou-se e entregou-se 352 talhões até ontem.

A redução das vítimas acomodadas nos centros ocorre numa altura em que as regiões centro e norte continuam a ser fustigadas por chuvas que variam de moderadas a fortes, o que pode ainda vir a desalojar inúmeras famílias que persistem em viver nas zonas de risco de inundações.  

Dados avançados pelo Conselho Técnico de Gestão de Calamidades indicam que entre segunda-feira e ontem choveu forte na Zambézia, Sofala e numa parte da província de Nampula.
Para hoje prevê-se chuva em regime moderado a forte em Tete e litoral de Sofala e de Inhambane, de acordo com informações avançadas por Rita Almeida.

Em consequência das chuvas que se registam no território nacional, bem como noutros países da região austral de África, tais como Zâmbia e Zimbabwe, as principais bacias hidrográficas e cursos de água estão com níveis de alerta e/ou acima disso, recomendando-se a retirada de comunidades e de serviços instalados em zonas ribeirinhas.

Os rios Incomáti e Limpopo estavam acima do nível de alerta nas estações de Magude e Combomune, respectivamente, enquanto o Zambeze encontrava-se naquele cenário em Caia e Marromeu.


Chuvas paralisam EN1 no distrito de Nicoadala

Chuvas paralisam EN1 no distrito de Nicoadala


A destruição do aqueduto acabou afectando a ligação rodoviária nos dois sentidos e não se vislumbram perspectivas de pelo menos em dois dias ser reposto o trânsito, situação que coloca cerca de três mil passageiros retidos numa situação de desespero total.

 O delegado da Administração Nacional de Estradas na Zambézia, Daniel dos Santos, disse ontem ser difícil indicar exactamente em que dia os trabalhos da colocação da ponte metálica serão concluídos.

Segundo o nosso entrevistado, as chuvas que continuam a cair estão a dificultar as operações no terreno. Os trabalhos foram adiados de domingo para segunda e ontem os empreiteiros continuavam a operar debaixo de chuva intensa.

“Tivemos uma outra contrariedade, porque havia aqui uma cratera de vinte e cinco metros e com a chuva essa cratera aumentou”, disse Daniel dos Santos.

Daniel dos Santos disse que o facto de estar a chover intensamente leva a que as vias alternativas para o escoamento do tráfego estejam interrompidas e alagadas. Trata-se das regiões de Derre/Mepinha/Alto Benfica ou Licuare.

Está é a segunda interrupção que ocorre no mesmo local em menos de uma semana. Na primeira, as autoridades da Administração Nacional de Estradas tinham encontrado uma solução provisória que porém, acabou cedendo face à contínuas chuvas.

Nos dois sentidos estão mais de cento e dez viaturas de todo o tipo aguardando o lançamento da ponte metálica. Há mais viaturas vindas de Maputo, África do Sul, Tete e Chimoio que pretendem chegar à cidade de Quelimane e o norte do país. Estima-se que o número de pessoas impedidas de viajar seja de três mil, que permanecem no local aguardando, a todo o momento, pela reposição da ponte por forma a chegar aos seus destinos entre Maputo, Tete, Nampula e Cabo Delgado.

No local não há condições de alimentação e muito menos foi instalada uma tenda para atender os casos de solicitações de pessoas com problemas de saúde.

Entretanto, o Instituto Nacional de Meteorologia adverte para a necessidade de tomada de medidas de precaução às populações do norte da Zambézia, face à subida dos caudais dos rios Licungo e Chire.

O delegado do INAM na Zambézia, Alberto Colarinho, disse que continuará a chover na região norte da província, o que poderá afectar os distritos da Maganja da Costa, Pebane, Namacurra, Mocuba, Ile e Morrumbala.


Número de desalojados sobe de sete mil para 55 mil famílias

Número de desalojados sobe de sete mil para 55 mil famílias


O número de desalojados subiu de 7 mil para 55 mil pessoas na província da Zambézia devido às chuvas que continuam a cair. Neste momento, um dos cenários gritantes verifica-se não só no distrito de Nicoadala, onde pelo menos sete mil pessoas se encontram em estado difícil, mas também no distrito da Maganja da Costa, onde mais 14 mil pessoas provenientes das comunidades de Lorela, Sopa, Muquera, Monea, Intabo e Mucoloma, carecem de apoio.

Na Maganja da Costa, mais de sete mil pessoas estão a viver o drama das águas provocadas pelas chuvas que continuam a cair um pouco pelos 17 distritos daquela província da região centro do país. Das sete mil pessoas que perderam os seus pertences, 2 500 pessoas já foram resgatadas e conduzidas aos centros de acomodação.

Nos dois centros de acomodação criados para socorrer as vítimas, a assistência alimentar está a ser suportada pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC). Os afectados estão com uma dieta diferente à do distrito de Nicoadala. Se em Nicoadala recebe-se metade de peixe e dois copos de arroz por cada agregado familiar, na Maganja da Costa, aquelas populações recebem quantidades de arroz, milho, feijão e até sardinha.

“Nós já conseguimos mobilizar para os dois centros de acomodação seis toneladas de produtos diversos. Também já fizemos aquisição de medicamentos para tratamento da água e estamos a fazer tudo para as comunidades, enquanto trabalhamos para encontrar locais definitivos para reassentar estas comunidades”, disse o delegado provincial do INGC, Silvestre Uqueio.


Trinta mortos em Nampula

Trinta mortos em Nampula


Dados do último balanço do Instituto de Gestão das Calamidades (INGC) apresentado ontem ao Governo local indicam que perto de duas mil casas foram destruídas pelas chuvas que se fazem sentir, para além de cortes de circulação rodoviária em alguns trocos, caso de Nampula/Angoche, na zona de Luazi por desabamento de uma ponte, vila sede do distrito de Mossuril com o posto administrativo de Lunga e Nametil/Moma.

Amâncio Nhantumbo, delegado provincial do INGC, disse que para mitigar o sofrimento das populações foram distribuídas quantidades não especificadas de produtos alimentares e material de cobertura das casas desfeitas, facto que fez com que muitos dos afectados não se encontre a viver ao relento.

De referir que as regiões mais afectados pelas enxurradas são as cidades de Nampula e os distritos de Monapo e Mossuril.

No caso especifico da cidade capital provincial, a governadora Cidália Chaúque anunciou na semana finda que o seu Executivo vai proceder a retirada compulsiva das populações vivendo nas bermas de alguns riachos que atravessam os arredores da urbe, tidas como zonas de alto risco.

Segundo a governante, as zonas onde as populações serão retiradas compulsivamente são as de Muhala e Mutomote, que por serem atravessadas por curso de água, foram declaradas como sendo alto risco habitacional.

Pretende-se com a medida evitar a perda de mais vidas humanas e de bens materiais, uma vez que a época chuvosa continua.

A governadora, que esteve de visita aos bairros afectados pelas chuvas, caso de Mutomote, Elipisse e Naloko, não só contactou as famílias enlutadas para lhes transmitir os pêsames pela perda dos seus entes queridos, como também procedeu a distribuição de produtos alimentares, material de cobertura e apelou as populações vitimas das chuvas, para que acatem as orientações dadas pelas entidades ligadas a gestão desta calamidade.

Segundo dados avançados pelo conselho municipal, cerca de 800 famílias, o correspondente a pouco mais de quatro mil pessoas, estão neste momento a viver em casas de familiares.


Abrandam inundações em Sofala

Abrandam inundações em Sofala


Tal facto foi revelado ontem, na Beira, pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) naquela província, Teixeira Almeida, depois de receber um donativo da Igreja Universal do Reino de Deus para as vítimas destas intempéries no país.

Segundo ele, em Sofala, a situação de desastres provocadas por intensas chuvas no território nacional e países vizinhos está controlada, não obstante o rio Zambeze ainda encontrar-se acima do nível de alerta em Caia e Marromeu, enquanto o Púnguè, Búzi e Save tende a baixar lentamente.

Consubstanciou que, neste momento, não há na província de Sofala um número significativo de pessoas que, exactamente, precisam de ajuda de emergência. Todos os afectados são apontados como tendo já reconstruído suas casas que haviam sido destruídas pela mesma situação calamitosa.

Contudo, soubemos que continua, no terreno, o trabalho de sensibilização da comunidade para se afastar das zonas susceptíveis a inundações.

Por este motivo, a nossa fonte aponta não haver necessidade de auxílio humanitário, sendo que a ajuda de solidariedade que se verifica no terreno vai ser canalizada aos infortunados baseados nas províncias da Zambézia e Gaza, faltando apenas uma orientação do governo neste sentido.

“Temos muitos produtos da primeira necessidade nos nossos armazéns, na Beira, resultantes da contribuição da sociedade civil, empresarial e algumas formações políticas como a Frelimo, para além da ajuda da população, em geral”-reafirmou Teixeira Almeida.

Entretanto, a Igreja Universal do Reino de Deus, através do seu braço humanitário denominado Associação Beneficiente Cristã, entregou ao INGC, em Sofala, 50 sacos de roupa usada, 500 quilogramas de arroz, 250 de farinha de milho, 20 de milho, 17 caixas de água mineral e quatro sacos de calçados.


Restabelecida circulação de comboios em Nacala

Restabelecida circulação de comboios em Nacala


Segundo uma nota da empresa Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), gestora do sistema ferroviário, desde sábado último que se encontram asseguradas as condições de segurança no referido troço, o que possibilita a normal circulação dos comboios de mercadorias nos sentidos ascendente (Nacala-Nampula) e descendente (Nampula-Nacala).

Os trabalhos consistiram na construção de uma ponte provisória de madeira para o suporte da linha, depois que será construído um aqueduto.

Recorde-se que ao longo do período em que a movimentação de comboios ficou condicionada, diversas empresas que usam aquela ferrovia para as suas transacções comerciais, acumularam enormes prejuízos financeiros, parte dos quais estão ainda por contabilizar.

Várias tentativas de intervenção de emergência para a reparação dos danos causados pela chuva na ferrovia, que chegaram a ser ensaiadas momentos depois do deslizamento dos solos, fracassaram devido à contínua queda de intensas chuvas que se registavam em toda a província de Nampula, particularmente no distrito de Monapo, onde ocorreu o arrastamento dos solos que sustentam aquela vital infra-estrutura ferroviária no transporte nacional e regional de mercadorias.

Refira-se que países do “hinterland” como o Malawi e  a  Zâmbia, importam e exportam as suas mercadorias através do sistema ferroviário de Nacala, como o são os casos de combustíveis, fertilizantes, clinquer (usado no fabrico de cimento), tabaco, entre outros.


Transbordo de rio faz desabar ponte e interrompe trânsito na principal estrada de Moçambique

Transbordo de rio faz desabar ponte e interrompe trânsito na principal estrada de Moçambique


A pressão das águas de um rio na Zambézia, centro de Moçambique, provocou o desabamento de uma ponte e interrompeu o trânsito de veículos pesados na principal estrada do país, que liga o sul ao centro e norte, informou fonte oficial.

O trânsito rodoviário na EN1 ficou condicionado na sexta-feira, após o desabamento de uma ponte em Nicoadala, disse hoje Daniel Patel, delegado provincial da Administração Nacional de Estradas (ANE) na Zambézia.

Este responsável disse que o corte da principal estrada do país, devido à pressão das águas do rio Namingorizine, na região de Amoro, paralisou por completo o tráfego de viaturas pesadas, que está apenas aberto a viaturas ligeiros e de passageiros.

"O corte verificou-se às 20:00 de sexta-feira e desde lá trabalhamos para condicionar o tráfego ligeiro a meia faixa. Vedámos [o trânsito a] veículos pesados para evitar um corte definitivo da estrada, enquanto esperamos a colocação de uma ponte metálica no local", explicou Patel.

Como medida de segurança, por o asfalto ter cedido quase 20 centímetros face ao nível da estrada, os passageiros atravessam a pé os cerca de cinco metros do corte.

Segundo a mesma fonte, uma estrutura metálica está a ser transportada do distrito de Dondo (província de Sofala), para ser colocada no local do corte, prevendo-se que a reabertura do tráfego ocorra na tarde de domingo.

"Estamos à espera do camião que está a trazer as peças metálicas para montarmos uma ponte de dois metros da parte cortada nas duas faixas. O empreiteiro está posicionado no local e esperamos que em dois dias estará reposto o trânsito", acrescentou Daniel Patel.

A EN1 já estivera, recentemente, com trânsito condicionado na cidade de Xai-Xai (Gaza, sul) devido ao transbordar das águas do rio Limpopo.

A província da Zambézia é, até agora, a mais afectada pelas enxurradas que se registam na região centro de Moçambique e que já provocaram a morte de 105 pessoas e obrigaram à transferência de milhares para campos de abrigo.


Maputo: Ramo de Eucalipto cai e danifica uma viatura

Maputo: Ramo de Eucalipto cai e danifica uma viatura


O incidente ocorreu por volta das 16h40min, quando uma viatura estacionada na Rua Francisco Matange esquina com Av. Eduardo Mondlane bem mesmo no Centro infatil Cinderella, caiu sobre ela um ramo duma árvore de Eucalipto, a proprietária se encontrava fora da viatura que de seguida ficou em pânico e as pessoas que por ali passavam.

Segundo testemunhas oculares, na altura do facto, algumas pessoas que estavam perto ainda se aperceberam dos estalidos provocados pelo início da queda da árvore, tendo se afastado, precipitadamente, evitando o pior.

Este é mais um incidente que acontece com as arvores da cidade das acácias, de lembrar que em Janeiro último ocorreu a queda duma acácia na avenida Agostinho Neto que derrubou um poste de betão de transporte da corrente eléctrica que destruiram uma viatura de marca BMW.

Estes incidentes podem estar relacionados com o deficiente sistema de substituição das árvores, enquanto isso elas vão caindo e destruir tudo à sua volta.


Partido no poder encoraja o Governo

 Partido no poder encoraja o Governo


Reunida quarta-feira última em Maputo, em VI sessão ordinária, a Comissão Política fez tal encorajamento depois de ser informada do estágio actual das cheias e inundações no país, saudando o Governo pelo apoio multiforme e pelos meios disponibilizados para o resgate e socorro das populações afectadas.

Na mesma sessão, a Frelimo saudou o povo moçambicano pela forma como respondeu ao apelo de solidariedade, de moçambicano para moçambicano, em apoio às famílias afectadas pelas cheias e inundações.

Lamentou a perda de vidas humanas e solidarizou-se com as populações afectadas endereçando condolências às famílias enlutadas.

A Comissão Política saudou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades Naturais (INGC), as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), a Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), órgãos de comunicação social, quadros da Saúde, obras públicas, agentes económicos e outras ligadas à sociedade civil pelo seu engajamento no resgate, no reassentamento e apoio multifacetado prestado às populações afectadas pelas calamidades.

As saudações estenderam-se ao Governo da África do Sul pelo pronto apoio prestado em meios aéreos e bens alimentares, que ajudaram a mitigar o impacto das calamidades naturais.

Nesta sessão foi igualmente informada sobre o estágio actual das actividades da UNA (Universidade Nachingweia), com vista ao início das aulas e saudou o trabalho até então realizado.

Exortou também o povo moçambicano para que se mantenha vigilante e denuncie às autoridades situações de desinformação e outras que possam perturbar a ordem, segurança e tranquilidade públicas.


Zambézia - Nicoadala: Insuficiência alimentar nos centros de acomodação

Zambézia - Nicoadala: Insuficiência alimentar nos centros de acomodação


As mães entrevistadas pela nossa Reportagem afirmam que quase não conseguem pregar sono, ficando toda a noite com lenços na mão, esforçando-se em afugentar os mosquitos. Referiram que mesmo assim, um curto pestanejar dos olhos, é suficiente para o filho ser picado pelo principal agente causador da malária.

A nossa Reportagem, que esteve nos últimos três dias nos quatro centros de acomodação, viu muitas mulheres e crianças com corpo cheio de borbulhas, resultantes de picadas de mosquitos. Devido ao vector propagador da malária, tanto as crianças como as suas mães não conseguem apanhar sono e, quando amanhece, ficam cheias de sono e fome devido à escassez de comida, passando quase todo o dia a dormir e a chorar de fome.

 A maior parte dos desalojados queixa-se de malária por falta de redes mosquiteiras e de insuficiência de comida, uma situação que afecta as crianças que deveriam ter, no mínimo, três refeições diárias mas acontece o contrário, havendo casos de pessoas que ficam um dia sem se alimentarem.

 A nossa Reportagem testemunhou o facto nos centros de acomodação Nhanguo e EPC Josina Machel, na localidade de Licuar, onde se encontram mais de três mil pessoas. As mulheres e crianças que conversaram com o nosso Jornal afirmaram que no Centro de Acomodação de Nhanguo, com 1300, oitenta por cento dormem ao relento por falta de espaço no interior da igreja local. Esta situação, segundo Ilda Moisés, está a prejudicar a saúde das crianças pelo facto de estarem expostas ao mosquito, principal vector e propagador da malária.

“Nas noites fica difícil pregar um sono. Como mãe tenho de ficar com um lenço nas mãos para afugentar os mosquitos e, quando, amanhece a preocupação é outra; procurar comida. Aqui nos dão um copo de arroz para uma família constituída por cinco pessoas”, disse a nossa entrevistada.

Fernando David, responsável daquele centro, explicou à nossa Reportagem que, das 1300 pessoas que se encontram no local, apenas trinta é que receberam redes mosquiteira. Segundo ainda a fonte, a comida é insuficiente apesar do abastecimento diário nos últimos três dias.

Dois Copos de Arroz por Família 

As pessoas que estão no Centro de Acomodação EPC Josina Machel partilham a mesma preocupação de doenças e insuficiência de comida. Apesar de todas elas estarem albergadas em salas de aula, estas não possuem redes mosquiteiras.

Perto do centro corre o rio Licuar e há um grande potencial de degradação ambiental que propicia a reprodução do mosquito. No local conversamos com Pinto Francisco, Chefe de Higiene, o qual lamentou a insuficiência de comida e das redes mosquiteiras.

“Eu e a minha família recebemos dois copos de arroz e dois peixes carapau. O meu agregado é constituído por cinco pessoas, como posso alimenta-las todas durante um dia com essas quantidades?”, questionou aquele cidadão.

Entretanto, o governo provincial da Zambézia criou mais um centro de acomodação no distrito de Nicoadala. Trata-se do Centro de Acomodação 4 de Outubro com mais de 1000 desalojados e as operações de salvamento de pessoas sitiadas pelas águas continuam, apesar da tendência destas baixarem. Por exemplo, as casas que estavam inundadas na sede da localidade de Licuar já estão habitáveis e mesmo o caudal do rio baixou consideravelmente.

Os desabrigados reivindicam ainda as condições de higiene e saneamento. No Centro de Acomodação EPC Josina Machel, por exemplo, as latrinas construídas não estão vedadas e, no local, há pessoas de diferentes idades, o que provoca um sério constrangimento. No centro de Nhanguo o responsável pede mais tendas, lonas e rolos plásticos.

A situação de emergência afecta nove mil pessoas na província da Zambézia. Há indicações de voltar a cair chuva nos próximos dias que deverão afectar principalmente a cidade de Quelimane, onde vinte e cinco famílias estão directamente afectadas e se encontram num centro de acomodação.


Cheias em Gaza: Afectados clamam por tendas e sementes

Cheias em Gaza: Afectados clamam por tendas e sementes


As preocupações foram ontem apresentadas pelo administrador daquele distrito, Alberto Libombo, durante a visita da Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza, ao centro de acomodação de Chihaquelane, o maior dos nove que funcionam naquela região de Gaza.

Embora, um significativo número de agregados familiares continue ao relento por falta de tendas ou lonas, o maior desafio das autoridades neste momento é alocar insumos agrícolas à população para que possa urgentemente aproveitar a humidade dos solos e recuperar a produção levada pelas inundações.

Se há duas semanas, a preocupação era como alimentar as cerca 12.300 famílias, num total de 78.400 cidadãos, que se encontram em Chihaquelane, a mais ou menos 25 quilómetros de Macia em direcção a vila de Chókwè, hoje as frentes são outras e têm uma visão futurista, dado que incluem material de construção e parcelamento de talhões. O drama de falta de comida vem sendo colmatado pela intervenção de vários parceiros, entre agências internacionais e empresários nacionais.

Alias ontem, um grupo de empresários sedeado na cidade de Maputo, em parceria com o Gabinete da esposa do Presidente da República, ofereceu 50 toneladas de produtos alimentares diversos, materiais de higiene, roupas e material escolar aos afectados pelas cheias acolhidos naquele centro.

A chegada do donativo, transportado em 16 camiões e algumas viaturas turismo, foi bastante ovacionada pelos afectados, que, tendo perdido quase tudo nas cheias de Chókwè e de outras regiões circunvizinhas, dependem da boa vontade dos restantes moçambicanos e não só para reerguer as suas vidas praticamente do zero.  

Falando aos afectados, Maria da Luz Guebuza, reiterou que ainda não é chegado o momento de voltarem às zonas de origem porque isso pode gerar mais desgraças, uma vez que continuamos na época chuvosa.
Aconselhou a população a acompanhar os avisos e alertas das autoridades e a cuidarem devidamente das acrianças, mulheres grávidas e idosos.

“Apesar da situação em que se encontram, os pais devem velar pelas crianças para que continuem a estudar”, disse acrescentando que “tenham coragem e esperança para reconstruir tudo que perderam”.

Por sua vez, Alberto Libombo, disse que foi identificada uma área de 20 hectares em Chihaquelane, onde já foram parcelados pouco mais de 130 talhões. A ideia é atribui-los aos residentes das zonas baixas de Chókwè, cujas casas foram totalmente destruídas pelas águas do Limpopo.

Falou ainda de outras zonas em Hokwe e Mapapa, onde se prevê urbanizar para reassetar os afectados agora em Chihaquelane, estando-se agora a mobilizar os parceiros para ajudar as vítimas em materiais de construção.


Mais gente em Chihaquelane

Mais gente em Chihaquelane


Dados transmitidos ontem a partir do terreno dão conta que estão neste momento, naquele centro, 104 mil pessoas número que supera as cerca de 70 mil pessoas contabilizadas na semana passada. Esta situação ocorre numa altura em que a situação geral no distrito tende a melhorar porque as águas baixaram significativamente.

As autoridades preocupadas com elevada concentração de pessoas numa área muito circunscrita temem que esta situação resulte na propagação de doenças de vária ordem entre as quais a cólera que implicará esforços adicionais para a cura.

Ana Cristina, oficial do INGC, disse, a partir do local, que algumas destas pessoas estavam ao longo da estrada e outras são atraídas pelas caravanas de ajuda que, volta e meia, tem Chihaquelane como ponto de chegada.

Segundo as autoridades gestoras das calamidades, a concentração da ajuda em Chihaquelane, faz parecer que o drama atingiu apenas aquelas pessoas enquanto existem outras tantas  noutros centros abertos por causa destas cheias dentre os quais em Xai-Xai, Chilembene, Guijá, Macia e Chibuto.

Para minimizar um possível drama sanitário numa área não preparada para acolher tanta gente, as autoridades estão já a diligenciar no sentido de começar o processo de distribuição de talhões e dos kits para a construção de habitação o mais rápido possível.

O único senão neste momento prende-se com a indisponibilidade de estacas devido ao problema das vias de acesso para o norte de Gaza. Por isso mesmo, está-se a diligenciar para que as mesmas sejam adquiridas na província de Inhambane.

Em Chihaquelane persiste o drama das latrinas. Até ontem eram contabilizadas apenas 170, algumas das quais chegaram a ser vandalizadas com a retirada das estacas e lonas que as circundavam.

O problema que prevalece neste ponto tem a ver com o facto de os populares exigirem remuneração para o seu envolvimento na construção de latrinas.

Enquanto isso, as autoridades prosseguem a distribuição de comida nos centros de acomodação abertos em resultado deste infortúnio e, onde ainda não é possível chegar devido ao mau estado das vias de acesso, recorre-se a ponte aérea.

Um total de 135 mil pessoas tinham sido assistidas pelo Programa Mundial de alimentação em Chókwè, Guijá, Chicualacuala, Chibuto, Macia e Xai-Xai.


Zambézia - Mocuba: Nem obras de emergência resolvem questão de água

Zambézia - Mocuba: Nem obras de emergência resolvem questão de água
As obras de emergência, que iniciaram em finais de Setembro último, consistem, fundamentalmente, em intervenções consideradas pontuais como, por exemplo, a reabilitação da estação de tratamento, colocação de novas bombas, sistema de decantação de água por forma fornecer o precioso líquido vinte e quatro horas e aumentar a produção dos actuais mil trezentos metros cúbicos para mais 2880 metros cúbico para elevar a capacidade para 807 novas ligações.

A obra de emergência, que está a ser executada por uma empresa polaca, a PBG SAS, tem como previsão para sua conclusão em Março do próximo ano mas ao que tudo indica as mesmas poderão sofrer um adiamento.

A nossa Reportagem que trabalhou há dias naquela cidade deslocou-se à estação de captação e bombagem para se inteirar do trabalho em curso tendo observado que o problema é grave, nomeadamente vimos munícipes a disputar espaço. Enquanto uns, lavavam a roupa, outros lavavam a loiça, tomavam banho, outros cartavam água para as necessidades diárias e outros ainda lavavam viaturas no mesmo local.

O Presidente do Concelho Municipal de Mocuba, Rogério Gaspar, disse que com a actual situação, associada às chuvas que inundaram latrinas e casas, a saúde pública está em perigo, o que inferniza a vida daqueles cidadãos.

Segundo ainda Rogério Gaspar, a actual rede, considerada obsoleta, está ser gerida pela empresa Água de Mocuba que enfrenta vários problemas de gestão do sistema, para além de que ele funciona a conta gota, ou seja, se jorrar água hoje nas torneiras dos munícipes podem ficar noutros dias ou meses sem água, sendo a única salva vida o recurso aos rios Licungo e Lugela que atravessam a urbe.

O Concelho Municipal local tem apoiado a empresa na compra de algumas componentes, nomeadamente electrobombas, cloro para o tratamento de água, entre outros. Todavia, o sistema está constantemente a avariar, o que tira sono ao executivo de Rogério Gaspar, que, desta vez, quis dizer tudo o que sentia ao Ministro das Obras Públicas e Habitação ao afirma que a reabilitação não vai resolver a promessa de levar água de qualidade aos munícipes daquela urbe, onde todos os caminhos se cruzam e Moçambique se abraça.

Consumidores Agastados

Na estação de captação e bombagem a nossa Reportagem conversou com alguns munícipes sobre como têm vivido a crise de água. Amélia Trindade, 30 anos de idade, encontrava-se no local com a filha com dois recipientes para cartar água no rio Lugela. Explicou que a água depois de retirada no rio mesmo fervendo-a e tratando-a com Certeza não muda de cloração e, qualquer individuo que for à sua casa pedir a água para matar a sede, sente alguma estranheza pela tonalidade de café misturado com leite. “ Se nos prometeram água durante a campanha eleitoral, então, é obrigação do governo resolver o problema; não há desculpas aqui”, disse a nossa entrevistada visivelmente agastada com a situação.

Um outro munícipe abordado pela nossa Reportagem no local é Julião Marques de Azevedo, empresário de restauração. Afirmou que nas torneiras do seu restaurante não jorra água há 20 anos e viu-se obrigado a montar um sistema para dar água para tomar banho aos seus clientes e lavagem das mãos. Disse que, mesmo assim, para o referido sistema funcionar é preciso ir com o seu tractor e tambores maiores no rio Licungo para cartar água. “Já tive clientes que compraram água mineral para tomar banho porque desconfiaram a que saia do chuveiro”, disse para depois acrescentar que a situação de água em Mocuba é grave e se o hospital rural não fica abarrotado de doentes com diarreias, “só porque Deus é que protege os seus filhos”.


Chuvas e valas entupidas: As fraquezas da Mafalala

Chuvas e valas entupidas: As fraquezas da Mafalala


Situado no distrito municipal KaMfumo, o bairro da Mafalala sofre muito após a queda da chuva. O nível freático encontra-se elevado. Nos últimos anos, o bairro era apontado como sendo um dos pontos por onde iniciava a cólera na capital moçambicana devido ao deficiente saneamento do meio, algo que não se verifica desde o ano de 2011.

Contudo, ainda há focos de lixo e água suja que perigam a saúde dos cerca de 23 mil moradores. Márcia Alzira, 20 anos, é uma das residentes do quarteirão 33 que mais corre risco de contrair doenças diarreicas e malária.

Esta jovem e o marido vive com outras 10 pessoas, há sensivelmente um mês, num compartimento feito de madeira e zinco quase que a cair aos pedaços. A casa deixa entrar água quer do tecto, quer das paredes. Mas também do chão devido ao nível freático daquela zona residencial. O espaço pertence a uma cidadã que vive próximo. Para residir nesta casa, cada elemento paga 100 meticais por mês.

Quando a nossa Reportagem visitou esta família, na semana passada, encontrou a Márcia a tentar livrar-se da água suja que inunda o espaço que serve de quarto e cozinha. Já cansada reclama: “Está a ser impossível acabar com esta água. Tento tirar com o balde mas em vão. O pior é que, ultimamente, está água cheira mal”.

Para preparar as refeições e dormir, Márcia e companheiros, alguns dos quais amigos e outros desconhecidos, fizeram arranjos. Alguns colocaram pneus e por cima uma chapa de zinco para servir de cama. Outros, como ela e o marido, têm como base do colchão uma sanita quebrada e pedras. O fogão a carvão é colocado entre a água suja. Esverdeada. No local, não há quem possui rede mosquiteira e produtos para tratar água e conserva-la. Entre os que vivem nesta casa, alguns já têm diarreia.

“A casa de banho está em péssimas condições. Está alagada. O que me preocupa é que algumas pessoas que vivem nesta casa já têm diarreia”, observa Márcia, única mulher no grupo.


Nova vaga de chuvas à vista: Áreas de inundações devem ser desocupadas

Nova vaga de chuvas à vista: Áreas de inundações devem ser desocupadas


Estes impactos, segundo Rute Nhamucho, chefe do Departamento de Recursos Hídricos na Direcção Nacional de Águas, poderão se fazer sentir em território nacional a partir do próximo domingo.

Na análise feita por Sérgio Buque, do Instituto Nacional de Meteorologia, estas chuvas resultam da actividade da chamada Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que nos meses de Janeiro a Março é responsável pela abundante pluviosidade na região Centro/Norte do país e em nações como Zimbabwe, Malawi e Zâmbia.

É neste quadro que até o dia nove de Fevereiro esperam-se chuvas em regime forte e localmente muito fortes em Tete, Zambézia e parte sul da província de Nampula.

As trovoadas e chuvas fortes (mais de 50 milímetros em 24 horas) far-se-ão sentir com maior intensidade no norte de Tete (distritos de Zumbo, Marávia, Chifunde, Macanga, Angónia e Tsangano), extremo norte da Zambézia (distritos de Milange, Lugela, Namarrói, Gurué e Alto Molócuè) e sul de Nampula (Malema e Ribáuè).

Face a esta previsão, as autoridades na Zambézia estão a acelerar a retirada das pessoas das áreas de risco para os bairros de reassentamento e a intensificar a divulgação de medidas de prevenção.

Aliás, o director-geral do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC), João Ribeiro, encontra-se desde terça-feira na Zambézia para com as autoridades locais articular os mecanismos de reforço das medidas de mitigação num quadro da crescente fragilidade devido à persistência das chuvas na região.

 Em termos gerais, segundo dados partilhados ontem na reunião do Conselho Técnico de Gestão das Calamidades em Maputo, Nampula, Zambézia, Inhambane, Gaza e Maputo são as províncias que ainda mantêm vivas as marcas da presente época chuvosa que afectou, em todo o país, 212.943 pessoas, das quais 151.122 estão nos centros de acomodação.

A província de Gaza, particularmente, é a mais afectada, porque as cheias assolaram o vale do Limpopo, bastante povoado, conhecidas que são as suas potencialidades agrícolas.

Basta dizer que mesmo num quadro de melhoria geral da situação (os níveis dos rios baixaram significativamente) continuam nos centros de acomodação 140.213 pessoas, um quadro motivado pelo facto de a maioria ter perdido tudo, tendo que recomeçar a vida preferencialmente em zonas consideradas seguras.

No terreno os esforços estão direccionados para o programa de reassentamento, identificação de áreas e parcelamento de terra para início do processo de reconstrução e recuperação dos deslocados.

No entanto, ainda prevalecem alguns desafios, nomeadamente no que se refere às infra-estruturas, cuja recuperação vai levar tempo, apesar da urgência que já se sente, particularmente no que se refere às vias de acesso, que permitem a movimentação de pessoas e bens.

Basta referir que devido ao mau estado das vias carvoeiros há que continuam retidos nas zonas de corte, muitas delas situadas a norte de Gaza, porque ainda não é possível transportar a mercadoria para os grandes centros de consumo situados na cidade de Maputo, onde o preço do carvão e lenha mostra sinais de incremento.

Nas zonas de reassentamento também faltam estacas para acelerar a construção de abrigos e também de latrinas. Neste momento estão em curso diligências para trazer aquele material de construção a partir da província de Inhambane.


Cabo Delgado - Conselho Municipal divulga seu orçamento participativo

Cabo Delgado - Conselho Municipal divulga seu orçamento participativo


De acordo com o Presidente do Conselho Municipal de Pemba, Tagir Ássimo Carimo, divulgar o orçamento aos munícipes significa tornar a sua governação participativa, pois, de acordo com a sua opinião, trata-se de um mecanismo governamental democrático, que permite aos cidadãos influenciar ou decidir sobre os orçamentos públicos, geralmente de investimentos dos municípios, através de processos de inclusão da comunidade.

O presidente do município de Pemba revelou, na ocasião, que dos 109 milhões de meticais previstos no orçamento, 24 milhões são do fundo de compensação autárquica, que já estão disponíveis, tendo afirmado que a edilidade respira de boa saúde financeira ao transitar o ano de 2012 para 2013 com um valor de cinco milhões de meticais, o que, na opinião de Tagir Carimo, representa um bom desempenho.

“Esses processos costumam contar com assembleias abertas e periódicas e etapas de negociação directa com os diversos intervenientes. No orçamento participativo retira-se o poder de uma elite burocrática repassando-o directamente para a sociedade. É segundo esses pressupostos da nova forma de ser e estar com os munícipes que hoje tomamos a liberdade de apresentar, publicamente, aquilo que vai ser o nosso orçamento e plano de actividades para o presente ano”- afirmou o presidente municipal.

Acrescentou que a apresentação pública vai permitir que todos possam identificar onde cada um deverá “pegar a corda” rumo ao desenvolvimento do município, tendo afirmado ainda que não trouxe no referido plano um produto acabado, mas sim, parte de ideias que foram colhidas ao longo das visitas feitas ao nível dos bairros municipais.

Alguns munícipes presentes na reunião pediram à edilidade para incrementar o trabalho de recolha de lixo, sobretudo nos diversos bairros suburbanos, onde acham que os Serviços de Salubridade relegam ao segundo plano, optando por limpar apenas a zona urbana, quando na prática todos os residentes da cidade pagam impostos e taxas de lixo. Outros participantes queixaram-se da proliferação de vendedores ambulantes que ocupam os passeios numa altura em que existem mercados que andam às moscas.

Iniciativa Irreversível

No final da reunião, Tagir Carimo disse a jornalistas, numa conferência de Imprensa, que a iniciativa será irreversível, se bem que acredita que a primeira experiência terá sido boa, que a classificou de um sucesso, porque ouviu dos representantes de 146 mil habitantes de Pemba a apontar as prioridades que gostariam fossem consideradas e tomadas em consideração no plano de orçamento. Afirmou que a reunião foi a concretização de um grande sonho de interagir com os residentes sobre o orçamento participativo.

Disse, por outro lado, que o plano de orçamento ora apresentado aos munícipes comporta despesas e receitas e que, no geral, a performance vai ser a arrecadação de receitas de vários níveis, desde as taxas diárias nos mercados e outros impostos, com vista a tornar o município sustentável do ponto de vista financeiro. Acrescentou que a edilidade vai continuar a criar condições de um bom ambiente de governação.

O presidente da cidade de Pemba disse, por outro lado, que a edilidade precisa, neste momento, de mais dinheiro para executar obras mais urgentes que se circunscrevem na construção de valas de drenagem na unidade residencial de Noviane, pavimentação da avenida principal da zona baixa da cidade e a continuação do trabalho de tapamento de buracos na urbe. Ainda no tocante às construções de vulto, o chefe da edilidade da cidade de Pemba anunciou, na ocasião, a abertura de uma nova estrada considerada rápida que vai ligar a praia de Wimbe ao bairro de Muxara.

Entretanto, o conselho municipal, lançou na última sexta-feira uma brochura denominada “Pemba Oye”, uma publicação pertença da edilidade que se pretende seja trimestral, uma iniciativa do Gabinete de Comunicação, Imagem e Imprensa. De acordo com Tagir Carimo, a brochura vai publicar as realizações do governo da cidade para o conhecimento do público ali residente.


Quando a rede sombrite fere a postura urbana

Quando a rede sombrite fere a postura urbana


Acontece que qualquer um altera como quiser o aspecto do imóvel, quer dentro do seu estabelecimento comercial, quer da sua residência.

Um dos exemplos é das diferentes cores garridas com que muitos inquilinos da “cidade das acácias” pintam as varandas das suas flats ou mesmo parte das paredes, passando pelo tipo de grades a usar e muito mais.

A razão destas linhas no “Coisas que Não Estranhamos” de hoje tem a ver com um episódio que acontece num dos prédios localizados na Avenida Eduardo Mondlane, concretamente em frente a um estabelecimento vocacionado à venda de tecidos.

Numa das flats, por sinal transformada numa doçaria, como se diz, pode-se notar grandes quantidades de formas de bolo colocadas na parte frontal como se de um armazém se tratasse. Nós elogiamos iniciativas empreendedoras de muitos cidadãos. Aliás é o que o Governo incentiva e desafia a todos a ter o espírito empreendedor. Mas há formas e lugares apropriados de se evidenciar como tal.

Será que o dono daquela residência não podia encontrar outra forma que menos banalizaria o prédio e/ou a casa onde vive? Acreditamos que possa não ter um armazém à altura de acomodar o seu material de trabalho mas no lugar de expor aquela quantidade de formas que sacrificasse um dos compartimentos da casa, em nome do civismo e/ou da postura urbana.

 Se um gradeia como quer e pinta à cor da sua preferência ou armazena o que bem entender, outros há ainda que colocam nas suas varandas rede sombrite que destoam tudo o resto, ferindo cada vez mais a vista de quem por lá passa, como se pode testemunhar na imagem captada pelo nosso colega Carlos Bernardo. Caros munícipes, não estaríamos desta forma perante mais um caso de coisas que não estranhamos?


Cheias na Zambézia: Salvas 1800 pessoas

Cheias na Zambézia: Salvas 1800 pessoas


A operação de resgate está a ser dirigida pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades com o apoio da Unidade Nacional de Protecção Civil (UNAPROC), mobilizados para o efeito, desde que a situação atingiu o nível de uma catástrofe.
O director regional Centro do Instituto Nacional de Gestão de Calamidade, Belém Monteiro, disse ontem a jornalistas, em Muziva, que há vários casos de pessoas que solicitaram as embarcações para se retirarem dos locais inundados devido ao transbordo do rio Licuare.

Só ontem, segundo o nosso entrevistado, foram salvas 800 pessoas e as operações de busca e resgate continuam, apesar de nos últimos dois dias não ter chovido.

Outras informações indicam que as inundações afectam mais de 37000 alunos em consequência da destruição ou inundação de 625 escolas em toda a Zambézia.

O porta-voz da Direcção Provincial da Educação e Cultura na Zambézia, Armindo Primeiro, disse que, porém, em muitos casos as aulas reataram graças à colaboração das confissões religiosas que disponibilizaram seus espaços.

“O Ensino Primário está a ser severamente afectado pela situação de calamidades”, observou Armindo Primeiro, para depois acrescentar que algumas comunidades onde as águas começaram a baixar estão a reconstruir os estabelecimentos de ensino.

Entretanto, as chuvas e descargas atmosféricas já fizeram nove mortos e quatro feridos na província, segundo o último balanço feito pelas autoridades. Entretanto, no terreno prossegue o levantamento dos danos causados pelas chuvas fortes que se abatem sobre a província.

Enquanto isso, na cidade de Quelimane foi criado um centro de acomodação albergando 25 famílias. O centro funciona na Unidade Residencial 7 de Abril. Trata-se de pessoas cujas casas estão inundadas ou destruídas devido à situação de calamidades.

O Conselho Municipal local lançou já um apelo para a solidariedade interna, solicitando às instituições e pessoas a canalizarem apoio multiforme para assistir aos desabrigados.

A Direcção Nacional de Águas alerta para a subida dos níveis hidrométricos na bacia do Licungo que poderá resultar em inundações em algumas áreas baixas depois de ter atingido o alerta em Mocuba no passado dia 30 de Janeiro.

As áreas mapeadas são o posto administrativo de Nante, particularmente nos povoados de Intabo, Insopa e VilaValdez, no distrito da Maganja da Costa, em consequência do alto volume de escoamento gerado pelas chuvas que se têm registado naquela região do país.